sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Crônica: Distância


Até onde uma distância pode nos levar? Aonde realmente queremos chegar?


Quando falo em distância não me refiro só a medidas exatas, a contagem dos metros percorridos a serem exibidos como um troféu, mas até que ponto conseguimos chegar, ou mesmo ultrapassar, daquilo que sonhamos para nós, e do quanto conseguimos nos perder também. 

Será que tudo que possuímos de verdade é a nós mesmos? E quando nos distanciamos de nós mesmos, o que temos afinal? Nada?!

Somos feitos de muitos dilemas. Perguntas novas e perguntas velhas que sempre vão estar lá e, para cada uma delas, as nossas escolhas. 

Então, a distância pode ser a medida do caminho que percorremos junto a quem escolhemos amar, mas também, a medida do quanto nos afastamos das pessoas e de tudo aquilo que mais amamos, de tudo que realmente importa e que juramos manter sempre ao nosso lado.

Qual desses caminhos opostos estamos fazendo? E quanto estamos sendo mais ou menos felizes com as nossas escolhas e as distâncias percorridas?

Grandes distâncias nos levam a exaustão, no entanto, o sentimento ao final pode ser bem diferente. Podemos ser tomados por uma extrema felicidade e podemos ser sucumbidos por um profundo vazio. 

A que distância uma distância deve chegar? 

Bem, com certeza, não tão longe que nos afaste a ponto de não conseguirmos mais achar o caminho de volta, não tão longe que a gente não consiga mais reconquistar o que o que jamais deveríamos ter afastado de nós.


Médica e autora do livro: Perfume de Hotel
contato@carlasgpacheco.com

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