sexta-feira, 29 de maio de 2015

Crônica: Perfume


Li uma vez que “sentir um cheiro pode trazer a mais bela ilusão aos nossos sentidos”, e eu, eu precisava me iludir. Não se tratava de viver um equívoco, mas de viver as fantasias que eu tinha de cada lugar, de sentir o poder do perfume.

Os lugares passam, mas o que nos marcou em cada lugar por onde passamos, não. Muito antes de a lente da nossa máquina fotográfica capturar uma imagem e, com isso, ser capaz de congelar e imortalizar aquele instante que queremos guardar, esse momento já ficou eternizado em nós.

Perfume e emoção mantêm uma relação muito íntima. Um perfume é guardado na memória acompanhado da emoção, do sentimento que experimentamos naquele momento, e quando acessamos essa memória afetiva e revivemos aquela emoção, provamos do mesmo perfume. Por isso, há quem diga que é quase impossível dissociar perfume de afeto.

As memórias olfativas são das mais poderosas, estão intimamente ligadas à história de vida de cada um de nós e são registradas de uma forma muito particular, a depender da relação que se estabelece a partir da nossa própria percepção para aquele perfume.

Perfume e sabor às vezes são difíceis de separar. Um perfume nos remete ao sabor de um momento, e um sabor traz à memória o perfume que marcou um momento.

Quando somos surpreendidos por um perfume que nos aquece por dentro e coloca em nosso rosto um sorriso que ilumina até o nosso olhar, nada nos fará esquecer esse aroma. E lá, ainda que num tempo muito distante, todas as vezes que esse perfume tornar à nossa memória ele irá arrancar nossos pés do chão e nos fazer flutuar, para outra vez sentirmos a mesma emoção, deixando em total descompasso as batidas antes ritmadas do nosso coração.

A vida é feita de muitos instantes. Alguns desses simplesmente irão passar, enquanto outros ficarão guardados para sempre e se tornarão parte do registro da nossa história. O que faz a diferença? A resposta está no perfume e no sabor do instante.

E não importa que tenha sido apenas um instante, porque em se tratando daquilo que vai ficar marcado em nós, isso nada tem a ver com o passar das horas, e sim com a intensidade daquilo que experimentamos, mesmo que por um instante.

Está certo quem diz que “a vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos lugares e momentos capazes de tirar nosso fôlego”. 

Perfumes para mim nunca serão demais.

*todos os trechos dessa crônica foram retirados da serie de livros PERFUME DE HOTEL



Médica e autora do livro: Perfume de Hotel
contato@carlasgpacheco.com

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