sexta-feira, 7 de março de 2014

Crônica: Por que não?



As pessoas me perguntam:
- Por que dei para escrever?
Vou responder aqui com outra pergunta:
- Por que não?

Sinto uma extrema urgência de me expressar, como se fosse mesmo sufocar se não o fizer. Não faço esforço para escrever, simplesmente me permito fluir. Sem comparações como costumam fazer com o chocolate dizendo ser quase tão bom quanto um orgasmo (até porque, em minha opinião, quem acha que é igual é porque ainda não explodiu num orgasmo que o fez esquecer-se do próprio nome depois), mas sem dúvida me dá muito prazer e me deixa com a sensação de extrema leveza. Escrever é muito intenso e deve ser por isso que escrevo.

Adoro sentir o sabor das coisas sem disfarce e isso também se dá com as palavras, gosto do som que elas têm sem usar de artifícios. Nunca tratei com meus filhos no diminutivo ou com medo de dizer aquilo que realmente é. Acredito que o sentimento de liberdade começa daí. As pessoas se incomodam muito facilmente e isso tira toda a graça. Tanto puritanismo faz mal.

Tenho muito para dizer e quero falar com muitas pessoas, por isso escrevo na primeira pessoa, falo de mim, do que penso, do que sinto, do que vejo e dos muitos perfumes que me cercam. Mergulho e exploro o mundo ao meu redor, falo do presente e viajo de volta ao passado ao mesmo tempo em que me projeto no futuro.

Escrever tem me feito provar do quão distante as palavras podem nos levar e o quanto podemos tocar as pessoas, mas mais que isso, o quanto elas podem nos tocar.

Ser escritora é muito mais que publicar livros e tê-los nas prateleiras das livrarias... é permitir que mais pessoas façam parte do nosso universo e é ganhar um universo maior também. 

Amo viver, amo me sentir viva – porque para se sentir vivo é preciso muito mais do que simplesmente existir – e, por conseguinte, amo falar da vida, do quanto ela é bela quando realmente percebemos cada instante como se fosse o último, e de como ela nos ensina a “Lei da Atração” – quanto mais nos damos para vida, mais nos enchemos dela.

Vou copiar aqui o que li uma vez e achei incrível: “Se você anda incompatibilizado com sua grife, simplifique”. É isso, por vezes nos esquecemos do requinte que há na simplicidade. A simplicidade é descomplicada e chique mesmo é ser descomplicado, então, não devemos ter medo de trocar de look, de se reinventar quantas vezes for preciso, não dói, o que dói é vestir uma roupa que não nos cabe.

Entregar aquilo que tive a coragem (porque para escrever é preciso sim ter coragem) de por no papel, me expor e ver que consegui deixar transparente na junção das muitas letras o sentimento e todas as sensações que me tomavam naquele momento é exatamente o que espero no final.

Se o pouco que experimentei até aqui como autora é parte do muito que ainda estou para descobrir, só posso dizer que sou uma mulher realizada nas escolhas que fiz.

Então, por que não escrever?



Médica e autora do livro: Perfume de Hotel
contato@carlasgpacheco.com

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