sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Crônica: Palavras



Sou apaixonada por cinema e um dos filmes que não poderia faltar na minha lista é Love Story, um clássico dos anos 70 que marcou época, um ícone. Amo sua fotografia, sua trilha sonora, sua história tão cheia de romance e drama... só nunca consegui concordar e, com certeza, nunca vou, com a famosa frase “amar é nunca ter que pedir perdão”. 

Penso exatamente o oposto disso. O perdão é libertador, tanto para quem pede quanto para quem é capaz de concedê-lo, mas, sobretudo, ele é vital para que uma relação se sustente. Não é fácil, mas aos poucos teremos que aprender a pronunciar e a praticar essa palavra se realmente quisermos seguir em frente numa relação.

As palavras tem peso. Engana-se quem pensa ao contrário. 

Palavras podem nos acariciar e podem nos maltratar, então, é preciso saber fazer uso das palavras.

Palavras soltas no ar não voltam e podem ecoar por muito tempo em nós. 

Há palavras que nunca deveriam ter sido ditas e outras que jamais deveriam ter sido reprimidas.

O lapso de tempo também é senhor das palavras. Quando perdemos o momento exato as palavras, muitas vezes, perdem completamente o sentido, deixam de ter o sentido, o valor, o efeito que teriam e se perdem nas incorreções.

A importância das palavras nada tem a ver com seu tamanho ou grandeza. Há aquelas pequenas e de significados imensuráveis, e há aquelas imponentes e de significados mais banais. Por quê? Porque tudo depende de como são ditas e da carga de sentimentos que colocamos nelas.

Palavras podem vir carregadas de verdades cruéis que são salvadoras ou de doces mentiras que são devastadoras.

Palavras podem expressar o amor ou muito rancor.

Palavras podem revelar medos tolos ou coragens absurdas.

Palavras podem nos fazer chegar ao clímax ou broxar. 

Enfim, palavras tem muito poder. 

Poucas coisas são comparadas ao sabor extremamente excitante que experimentamos ao ouvir as palavras desejadas, sejam elas escritas ou faladas. 

Palavras sussurradas ao pé do ouvido, palavras ditas a favor do vento, palavras rascunhadas num guardanapo, palavras escritas com batom no espelho, palavras ditas ao telefone, palavras deixadas num pedacinho de papel ao nosso lado na cama, palavras que chegam ao som do alerta de mensagens no celular, palavras colocadas em declarações explícitas de amor... palavras que servem de alimento diário para a nossa alma... palavras... palavras... 

Amar é não economizar palavras!



Médica e autora do livro: Perfume de Hotel
contato@carlasgpacheco.com

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