sexta-feira, 6 de março de 2015

Crônica: A Mulher É


Não tem jeito, nós somos. Desde sempre se fala da diferença entre os sexos, da fragilidade feminina, da nossa pouca praticidade, de toda nossa sensibilidade.

Sim, concordo que no universo feminino as questões estão mesmo num outro patamar, sob uma ótica diferente, isso porque lidamos ao mesmo tempo com dois elementos muito poderosos e indivisíveis para nós, razão e sensibilidade. Mas não se deixem enganar com essa sensibilidade, ela é apenas o nosso plus.

A cada dia nos tornamos mais versáteis, dinâmicas, autênticas, incorporamos com mais voracidade essa praticidade que emana da testosterona em alto grau, mas com muito charme e, cada vez nos colocamos de maneira mais segura e bem mais preparada para aquilo que nos propomos a fazer e com toda a habilidade de quem é capaz de executar mil tarefas ao mesmo tempo no alto de um salto 15 - não é para qualquer homem!

A carinha de boneca apenas fala da nossa alma feminina, do quanto gostamos de estar de bem, em primeiro lugar com a nossa autoestima e, só então, com a nossa imagem refletida no espelho. Não precisamos (e não gostamos) de sair para o mundo de cara limpa, ao invés disso, gostamos de estar produzidas, preparadas para qualquer ocasião e isso inclui ter em mãos um kit básico com primer, uma boa base com filtro solar, corretivo, uma máscara de cílios poderosa – daquela que levanta qualquer olhar – blush e batom, ainda que cor de boca (aliás, batom cor de boca para mim é tudo). 

Somos muitas em uma só, assumimos diversos papéis, não cabemos numa fôrma só, por isso mesmo podemos dar conta, sabemos administrar e aliar vaidade e feminilidade a extrema competência. Temos sim a capacidade de ocupar a mesma cadeira que eles ocupam, mas jamais seremos e queremos ser tratadas do mesmo jeito no que diz respeito aquele tampinha nas costas.

Não precisamos mais nos violentar, esse tempo já ficou para trás. Podemos pensar alto, expressar nossos sentimentos, termos orgasmos múltiplos. Foi-se o tempo só da servidão, também estamos aqui para sermos servidas. 

Enfim, a mulher é! É cada dia mais, questionadora, observadora, mais atrevida, mais independente. Mas preciso confessar que tenho coragens absurdas e medos realmente tolos – e não acho que esteja sozinha nessa. 

Não estamos mais aqui para desistirmos de nós mesmas em prol de sabe lá o quê ou sabe lá por quê. Nada mais justifica se abandonar, ninguém é feliz assim.

Somos imperfeitas – e quem não é? -, um pouco complexas talvez, mas, com certeza, muitos mais felizes que ontem e ainda muito menos felizes do que seremos amanhã. É assim que deve ser a vida. Tudo que estagna morre. Viver é estar em constante movimento, portanto, morrer em vida nem pensar!

Enquanto eu estiver aqui quero amar, vibrar, acreditar, conquistar meus sonhos e ser feliz, feliz por tudo e feliz por nada. Parece simples, sei que não é, mas só cabe a mim decidir ir ou ficar, rir ou chorar, ser ou não ser, enfrentar ou me entregar... ser mais uma no meio da multidão ou fazer a diferença e permitir que outros façam a diferença na minha vida também.

Sim, sou mulher. Feliz Dia Internacional da Mulher para todas nós!


Médica e autora do livro: Perfume de Hotel
contato@carlasgpacheco.com

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